Açaí Nutrilatino
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Apesar do Pará e os demais estados do Norte estarem na mesma zona climática e possuírem terrenos semelhantes, a alta demanda de chuvas é um diferencial em favor dos paraenses no aspecto da produtividade do açaí. "O que nos diferencia é a alta pluviosidade. Apesar de outros estados serem muito úmidos também, aqui a chuva é mais intensa. Além disso, aqui também faz sol o ano inteiro. O açaí precisa justamente disso: sol e muita água”.
Maior produtor de açaí do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado do Pará possui apenas sete empresas que comercializam o fruto para fora do país (Açaí Nutrilatino e demais), totalizando 2,3 mil toneladas exportadas em 2018. A rota do “ouro” de cor roxa é extensa, chega a quase todos os continentes e a movimentação financeira acompanha esta dimensão planetária, com superávit de aproximadamente US$ 17 milhões, de acordo com dados fornecidos ao G1 pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado (FIEPA).
No top 10 dos países que mais receberam açaí em 2018, os Estados Unidos estão na liderança e são responsáveis por quase 40% do consumo total, com mais de mil toneladas, algo em torno de US$ 2,7 milhões. Logo atrás vem Japão e Austrália com, respectivamente, 236 e 194 toneladas. Os dois países juntos movimentaram pouco mais de US$ 1,5 milhão. O mercado europeu aparece com Alemanha, Bélgica, França, Holanda e Portugal, mas com valores pouco impactantes na balança comercial do produto. Somadas, são 473 toneladas.

Os Estados Unidos consomem 40% da exportação paraense; mercado na Europa é tímido e fruto movimenta US$ 17 milhões em dois anos. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, respectivamente os principais consumidores de açaí depois do Pará, é comum visualizar o consumo com grãos e frutas.

“Antigamente nós comprávamos açaí em lanchonetes. Hoje em dia existem algumas lojas especializadas na venda do fruto, onde você customiza o seu açaí com outros produtos”, afirma Luiza Reis, acadêmica de direito, moradora do Rio de Janeiro que esteve no Pará a passeio.

A FIEPA alerta que, para ganhar novos mercados, as empresas devem ter cuidado com relação às certificações internacionais para alimentos e bebidas. "Existem, por exemplo, o certificado fitossanitário, certificado do norte-americano FDA e certificado para a União Europeia, essenciais para evitar qualquer problema com as autoridades fiscalizadoras dos países compradores de alimentos e bebidas", avisou a economista Cassandra Lobato, coordenadora do CIN.
Outro ponto importante são os acordos firmados entre o exportador brasileiro e o empresariado estrangeiro. De acordo com Antônio Bernardes, advogado mestre em direito internacional pela Universidade da Califórnia e com aperfeiçoamento em Harvard, “é necessário que sejam adotadas práticas de negociação internacional para garantir a lucratividade da parceria e proteção de ambos os mercados”. Para ele, “existe a necessidade de mudança cultural para internacionalizar a economia e que transcenda a simples exportação do fruto”.
Outra dica dos especialistas, são os benefícios de contratos de parcerias internacionais, os chamados joint venture. “Esse parceiro ou sócio estrangeiro, traz, no mínimo, dois benefícios para o produtor paraense. O primeiro deles é que ele injeta dinheiro e esse recurso pode ser usado em tecnologia ou qualquer coisa que melhore a produção, isso com custo baixo e em moeda mais forte que o Real. Além disso, esse parceiro ou sócio estrangeiro conhece o mercado de atuação dele, as minúcias, tem relacionamento e sabe onde e como distribuir o produto até o destinatário sem barreiras culturais”.
Fonte: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2019/02/21/caminhos-do-acai-estados-unidos-consome-40-da-exportacao-paraense-mercado-na-europa-e-timido-e-fruto-movimenta-us-17-milhoes-em-dois-anos.ghtml
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